domingo, 17 de abril de 2011

IDADE ANTIGA

MESOPOTÂMIA - A vida entre dois rios

A geografia privilegiada do atual Iraque favoreceu o aparecimento das primeiras cidades-Estado do mundo


A Mesopotâmia (do grego "entre rios") é a região localizada entre os rios Tigre e Eufrates - território que se situa no atual Iraque -, onde surgiram as primeiras cidades-Estado do mundo. Ela faz parte do Crescente Fértil, área na qual brotou grande parte das civilizações antigas que se estende até o Egito.


MESOPOTÂMIA

Todo ano, quando a neve das montanhas da Armênia derretia, o Tigre e o Eufrates inundavam as planícies próximas às suas margens, cobrindo-as com uma camada de lama extremamente fértil. Isso atraiu vários povos para a região durante toda a Antiguidade.


SUMÉRIOS

Os primeiros habitantes da Mesopotâmia foram os Sumérios, lá instalados pelos menos desde 4000 a.C. Durante esse período, inventaram seu maior legado histórico: a escrita cuneiforme, feita com talhes em placas de argila, que servia para controlar a produção agrícola.


Escrita Cuneiforme

Evolução da Escrita Cuneiforme


Simbologia da Escrita Cuneiforme

Além da escrita cuneiforme, os sumérios se destacaram no desenvolvimento da arquitetura, com a construção dos Zigurates, enormes templos para os seus deuses.

As cidades-estados sumerianas, tradicionalmente, eram cidades-templos. Isto porque os sumérios acreditavam que os deuses haviam fundado as cidades para que fossem centros de cultos. Mais tarde, segundo a religião, os deuses limitavam-se a comunicar os soberanos as plantas das cidades e dos santuários. A ligação dos patésis aos ritos da cidade era extremamente íntima.

Os templos estavam ligados ao poder estatal e suas riquezas eram usufruídas pelos soberanos, chefe político e religioso ao mesmo tempo. "Vigário" da divindade, intermediário entre deus-rei e a humanidade. Essa era a figura do Patesi.


Zigurate


Os sumérios dominaram os semitas (povos nômades), e fundaram cidades como Kish e Ur. Por volta de 3200 a.C, já eram organizados em uma civilização.

Cada cidade já tinha governo próprio, centralizado na figura dos Patesi - reis que concentravam o poder militar, político e religioso. Havia também a aristocracia burocrática que cuidava dos interesses do rei, dos bens da casa real, do tesouro público, que recebe os impostos e etc.
 

Verificamos assim, que as famosas cidades-Estado não surgiram inicialmente na Grécia, como alguns podem questionar-se, mas com os povos antigos da Mesopotâmia.


IMPÉRIO BABILÔNICO

Por volta de 2000 a.C, uma nova invasão semita de origem à cidade da Babilônia, que se tornou importante centro político. Sob a liderança do rei Hamurabi, entre 1792 e 1750 a.C, a Mesopotâmia foi outra vez unificada, e teve início o I Império Babilônico.

Hamurabi elaborou o primeiro Código Jurídico completo com 282 leis - entre elas a severa Lei de Talião ("olho por olho, dente por dente"). O Império Babilônico, também conhecido como Amorita, durou até o século XVI a.C, quando tombou após as invasões do Hititas - nômades vindos do Cáucaso.

   

Monolito com o Código
de Hamurabi


Temos abaixo algumas das Leis de Talião que compuseram esse que foi um dos primeiros Códigos de Leis da Humanidade, o Código de Hamurabi:

- Se alguém acusa um outro, lhe imputa um sortilégio (crime), mas não pode dar a prova disso, aquele que acusou, deverá ser morto.
21º - Se alguém faz um buraco em uma casa, deverá diante daquele buraco ser morto e sepultado.

22º - Se alguém comete roubo e é preso, ele é morto.
127º - Se alguém difama uma mulher consagrada ou a mulher de um homem livre e não pode provar se deverá arrastar esse homem perante o juiz e tosquiar-lhe a fronte.

196º - Se alguém arranca o olho a um outro, se lhe deverá arrancar o olho.

200º - Se alguém parte os dentes de um outro, de igual condição, deverá ter partidos os seus dentes.

Desses dois artigos é que surgiu o provérbio mais conhecido acerca da Lei de Talião: "olho por olho, dente por dente".


ASSÍRIOS

No século IX a.C, outro povo começou a despontar como potência: os Assírios. Originários do norte do rio Tigre, conseguiram um vasto império, cujo auge foi entre os séculos VIII e VII a.C., nos reinados de Sargão II, Senaqueribe e Assurbanípal, aquele que construiu a famosa biblioteca da cidade de Nínive.



Império Assírio


Assírios em batalha


Guerreiros Assírios


Os assírios ficaram conhecidos pelo Exército poderoso e cruel, impondo violentos castigos aos povos conquistados como a empalação e a crucificação dos inimigos derrotados. Destaque para a utilização de carros de guerra puxados por cavalo, além do uso de arcos e flechas bem ornamentados para os conflitos.


II IMPÉRIO BABILÔNICO

Abalado por revoltas internas e invasões, o Império Assírio tombou em 612 a.C., diante de uma aliança entre medos (vindos das margens do Mar Cáspio) e caldeus (vindos do Sul da Mesopotâmia).

Sob o domínio dos caldeus, a Babilônia voltou a ser a capital da Mesopotâmia, o que deu origem ao II Império Babilônico.


Império Babilônico - Nabucodonosor


O apogeu ocorreu no governo de Nabucodonosor II (604 - 562 a.C.), que expandiu o território até a Palestina, escravizando o povo local, os Hebreus, no evento conhecido, até biblicamente diga-se de passagem, como o "Cativeiro da Babilônia".


Ruínas da Babilônia


Nabucodonosor também construiu a Torre de Babel e os Jardins Suspensos da Babilônia.


Ilustração - Jardins Suspensos da Babilônia


Ilustração - Torre de babel


Em 539 a.C., a Babilônia foi conquistada pelos persas, tornando-se uma de suas províncias. Encerrava-se dessa forma a era de autonomia da Mesopotâmia.

Contente por mais um tema muito importante ter sido abordado pelo Impacto na História, pois estão nesses povos as nossas origens... Por mais que venhamos evoluir em busca de mais e mais tecnologias, novos conceitos, uma sociedade cada vez mais robotizada, jamais devemos esquecer que foram os povos orientais que deram os primeiros passos para que estivéssemos aqui hoje.

Seus questionamentos nos trouxeram a arquitetura, a escrita, apesar de não deixar de mencionar que no período histórico anterior, denominado Pré-história, já se buscava soluções para os problemas que chegavam ao homem.

Entender as suas formas de organização, de religião e sua espetacular evolução nos faz cadavez mais agradecidos pela ânsia de conhecimento que o homem possui, desde os primórdios de nossa História.

Um abraço do Prof. Joka e boa semana!
Abaixo de toda essa pirâmide, vinha a população e seus diversos afazeres, fazendeiros, barqueiros, pescadores, criadores, negociantes, artesãos, enfim.

E para finalizar, havia escravidão. Esses escravos eram inimigos capturados, ou formas de pagamento de dívidas. Esses escravos porém, tinham alguns privilégios, como liberdade para se casar, por exemplo.

ANTIGO REGIME E MERCANTILISMO

"O Estado sou eu"

A frase, atribuída ao francês Luís XIV, mostra bem quem mandava na política da Idade Moderna: os reis. Veja como eles adquiriram e puseram em prática tal poder absoluto.

Cerimônia do beija-mão



Antigo Regime

O Antigo Regime foi o estilo de governo que marcou a Europa na Idade Moderna. Na esfera política, era caracterizado pelo Absolutismo, ou seja, o poder ficava todo concentrado nas mãos do rei; na esfera econômica, vigorava o Mercantilismo, marcado pelo acúmulo de capital realizado pelas nações.

FORMAÇÃO

Desde o fim da Idade Média, existia na Europa uma tendência de enfraquecimento do poder dos nobres, por causa do Renascimento comercial e urbano. Para os reis, que durante o período medieval tinham autoridade quase nula, esse era o momento ideal de reafirmar seu poder.

Em alguns países os soberanos contaram com o importante apoio da Burguesia, que tinha forte interesse na centralização política, pois a padronização de pesos, medidas e moedas e a unificação da justiça e da tributação favoreciam o desenvolvimento do comércio.

A nobreza, sem forças para se impor, acabou por aceitar a dominação real - em alguns casos, após sangrentos conflitos. Parte dela foi cooptada por meio da formação das cortes, constituídas por nobres luxuosamente sustentados pelo Estado.

Os reis puderam, assim, tomar para si todo o controle político, econômico e militar dos países. No auge desse processo de centralização, estabeleceu-se o Absolutismo.


TEORIAS

O fortalecimento do poder real era defendido por vários pensadores da época. Um dos filósofos absolutistas mais importantes e reconhecidos em todo o mundo foi o renascentista italiano, Nicolau Maquiavel, autor da obra política "O Príncipe". Em sua obra apoiou o uso de todos os meios necessários para o monarca aumentar a sua força política, lançando nesse momento sua famosa frase: "Os fins justificam os meios".

Nicolau Maquiavel


O Príncipe

  
Na Inglaterra o grande nome foi o de Thomas Hobbes, autor de O Leviatã. Ele dizia que os homens tendem a viver em constantes guerras e conflitos entre si, e para que se evitasse tais acontecimentos, seria necessário firmar um contrato social entre os indivíduos, e o cumprimento desse acordo só poderia ser garantido com o estabelecimento de um Estado forte, sendo para ele um "mal necessário", pois não havia como imaginar uma sociedade sem uma organização suprema do rei. Para Hobbes, "o homem é lobo do próprio homem", não havendo a possibilidade da sociedade se auto-organizar.


Thomas Hobbes


Ilustração de Leviatã



Leviatã

Na França, destacou-se o cardeal Jacques Bossuet, segundo o qual o rei era o representante de Deus na Terra, e por Direito Divino, não devia satisfação de seus atos. Foram nesse dois últimos países que o Absolutismo se estabeleceu de forma mas exemplar.


Jacques Bossuet



Teoria do Direito Divino


INGLATERRA

A Monarquia inglesa teve início em 1066, quando o duque da Normandia, William I (também conhecido como Guilherme, o Conquistador), invadiu o país e impôs o regime absolutista. O poder real, mesmo assim, teria outra forma, a limitada.

A Magna Carta, em 1215, e o Parlamento - instituição central da história política inglesa, criada em 1264 - submetiam às decisões do soberano à aprovação dos nobres.

A primeira fase do absolutismo inglês começou com a Guerra das Duas Rosas (1455-1485), quando as duas mais importantes famílias da nobreza do país, Lancaster e York, se enfrentaram pela sucessão do trono. Elas praticamente se exterminaram mutuamente, abrindo caminho para que um herdeiro político indireto de ambas assumisse o poder: Henrique VII, que fundou a dinastia Tudor.

Com a nobreza enfraquecida e o apoio popular, em razão do fim das guerras, Henrique VII fortaleceu sua autoridade. Seu filho e sucessor, Henrique VIII, foi além, ao promover a Reforma Religiosa no país. Como dica de um excelente filme histórico para entender o absolutismo inglês durante o governo de Henrique VIII, a história com Ana Bolena e a separação da Igreja Católica Romana, indico "A Outra", que traz a vencedora do Oscar em "Cisne Negro", Natalie Portman, Scarlett Johansson e Eric Bana, além de grande elenco. Você vai entender de que forma surgiu  e se firmou o Aglicanismo inglês, religião oficial do país ainda hoje.


                                Filme: A Outra

O auge do Absolutismo inglês ocorreu entre 1558 e 1603, no governo de Elizabeth I, hábil administradora, que conseguiu manter o Parlamento sob realtivo controle e promoveu grande expansão da economia. Em seu reinado, a Inglaterra derrotou a invencível armada da rival Espanha e fundou a primeira colônia inglesa na América. Após a sua morte, o país viveria um período de conflitos entre o rei e os setores ligados à burguesia que resultaria no fim do Absolutismo. Veja abaixo algumas ilustrações da rainha mais temida durante o Absolutismo Europeu, Elizabeth I, que foi chamada pelo rei espanhol Felipe II de "castigo protestante"após a sua humilhante derrota para a marinha inglesa.









Mais uma vez indico a todos vocês excelentes filmes para compreender o governo absolutista da magnífica Rainha Elizabeth I, uma das mulheres que marcaram a História Mundial. Curiosamente, a atriz Cate Blanchett fez dois filmes como a protagonista Elizabeth!!


                              Filme: Elizabeth


                       Filme: Elizabeth: A Era de Ouro


FRANÇA

Na França, o Absolutismo seria mais consistente e duradouro. A autoridade real e o sentimento de nacionalidade começaram a a se fortalecer no país após a vitória sobre a Inglaterra na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Nas décadas seguintes, os monarcas ampliaram os territórios sob seu domínio e, aliados à burguesia, estenderam o controle real sobre a economia. A nobreza passou a integrar uma numerosa corte e formou-se, assim, uma grande aliança entre o monarca, os burgueses e os nobres, que duraria até a Revolução Francesa.

Na segunda metade do século XVI, a França viveu intensos conflitos entre Católicos e Protestantes. Destacou-se o episódio da Noite de Sao Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, quando milhares de protestantes foram mortos por ordem da coroa. Os conflitos terminaram com a tomada do poder por Henrique IV, que reconheceu os direitos dos protestantes pelo Edito de Nantes, de 1598. Fortalecido após a pacificação do país, ele deu início à dinastia dos Bourbon.


Noite de São Bartolomeu

                      Protestantes assassinados pela coroa

Seu sucessor, Luís XIII, nomeou primeiro-ministro o cardeal Richelieu, que intensificou a centralização do poder e a política mercantilista. No campo externo, interveio na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), contribuindo para o esfacelamento do Sacro Império Romano-Germânico e para a transformação da França na potência continental.

No governo seguinte, de Luís XIV (1643-1715), o absolutismo chegou ao auge. Conhecido como o Rei-Sol, ele passou a viver em clima de luxo exagerado, na corte, no Palácio de Versalhes, fora de Paris.

O modo de vida do rei Luís XIV tornou-se símbolo do absolutismo francês, ficando a economia a cargo do ministro Colbert, um burguês que levou ao extremo a política mercantilista.


                               Luís XIV - O Rei Sol


                     Palácio de Versalhes - França



                      Versalhes - Galeria dos espelhos



                     Biblioteca de Luís XIV


VOCÊ SABIA?

Símbolo máximo do Absolutismo Francês, o Palácio de Versalhes exemplifica bem a excentricidade de Luís XIV, conhecido como Rei Sol. O prédio tem 1,4 mil fontes e vários salões suntuosos - em apenas um deles, por exemplo, havia 357 espelhos. Ao todo, 36 mil homens trabalharam em sua construção.


MERCANTILISMO

Uma série de medidas econômicas, conhecidas pelo nome de mercantilismo, garantiu, durante o Antigo Regime, a manutenção do Estado Absolutista e de seu suntuosos gastos com o aparelho administrativo, o Exército e, principalmente, com a corte.

Possuía como princípios:

         1) Metalismo: era a base da política mercantilista e trazia a ideia de que a riqueza de um país dependia de sua capacidade de acumular metais preciosos. Mais tarde, percebeu-se que isso não bastava, sendo necessário desenvolver a produção interna.

         2) Balança comercial favorável: estipulava que era necessário comprar barato e vender caro seus produtos, para que o Estado obtivesse o chamado atualmente Superavit, ou seja, evitar ao máximo importar produtos e intensificar a produção interna para vender e expandir para outros mercados no mundo.

         3) Protecionismo alfandegário ou medidas protecionistas: estipulavam barreiras alfandegárias para produtos estrangeiros, o que favorecia a manufatura e o artesanato nacionais.   

        4) Pacto colonial: como a conquista e a exploração de colônias eram fundamentais, os Estados absolutistas europeus retiravam os recursos que bem desejavam de seus domínios em outros continentes e forçavam os povos colonizados a comprar produtos fabricados na metrópole.


Mercantilismo

                                            Mercantilismo


                                         Pacto Colonial




Ilustres visitantes do Impacto na História, a cada dia vejo o quanto os acontecimentos históricos estão inseridos em vários setores de nossa sociedade, seja na religião, política ou economia, como vimos com mercantilismo. Alguns de seus princípios ainda hoje são utilizados por muitas das potências econômicas mundiais.

Espero que tenham aproveitado bastante as informações que foram disponibilizadas a todos vocês e que sejam expandidas para o seu amigo, irmão e para todos que não se contentam com a mesmice das informações positivadas da História mecânica, estática...

O Impacto na História chega para realmente mostrar de uma maneira mais interessante o que os fatos históricos escondem por trás dos livros e das simples informações que em nenhum momento são atraentes.

Fiquem ligados, pois no próximo post virão questões direcionadas ao ENEM ok! O gabarito somente no post seguinte às questões... Desejo um bom início de semana a todos e nos encotramos no próximo post....

Abraço do prof. Joka!!

sábado, 9 de abril de 2011

INQUISIÇÃO

Intolerância em nome da fé

Alegando agir em nome de Deus, os hediondos tribunais do Santo Ofício foram responsáveis pela condenação, tortura e morte de milhares de pessoas consideradas hereges pela Igreja Católica.

A Inquisição era formada pelos tribunais da Igreja Católica, que perseguiam, julgavam e puniam pessoas consideradas hereges. Ela teve duas versões: a medieval, nos séculos XIII e XIV, e a feroz Inquisição Moderna, localizada em Portugal e na Espanha, que durou do século XV ao XIX.

Tudo começou em 1231, quando o papa Gregório IX - em razão do crescimento de seitas religiosas - criou um órgão especial para investigar os suspeitos de heresia. Atuando na Itália, na França, na Alemanha e em Portugal, a Inquisição medieval tinha penas menos severas, como a excomunhão, ou seja, o banimento do herege dos sacramentos da Igreja Católica. Na sua segunda fase, a Inquisição surgiu com penas muito severas, principalmente na Espanha de 1478.

As punições tornam-se bem mais pesadas, como a instituição da morte na fogueira, a prisão perpétua e o confisco de bens, este trazendo ainda mais riqueza a uma já poderosa Igreja Católica. A crueldade dos inquisidores, responsáveis pela aplicação das penas, era tamanha que o próprio papa chegou a pedir aos espanhóis que evitassem o banho de sangue que estava ocorrendo.

Os alvos principais dos inquisidores eram os judeus e os cristãos-novos, como eram chamados os recém-convertidos ao catolicismo, acusados de praticar o judaísmo secretamente. Na verdade, esses grupos já haviam formado uma poderosa burguesia que atrapalhava os interesses da Igreja Católica medieval e principalmente dos nobres de "sangue azul".

Com o apoio de tais nobres, o clero intensificou a perseguição e aumentou ainda mais o poder do Tribunal do Santo Ofício, que passou a considerar como heresia qualquer ofensa "a fé e aos costumes". A lista de perseguidos incluía ainda os protestantes e iluministas, históricos combatentes dos desmandos do clero medieval e moderno.

O Brasil não chegou a ter um tribunal específico para punir hereges que pudessem surgir, mas emissarios da Inquisição estiveram por aqui entre 1591 e 1767. Calcula-se que centenas de brasileiros tenham sido condenados e mais de 20 queimados em Lisboa.

Os inquisidores portugueses fizeram 40 mil vítimas, das quais 20 mil foram queimadas nas fogueiras da Santa Inquisição. Na Espanha, até o fim do Santo Ofício, 1834, estima-se que quase 300 mil pessoas tenham sido condenadas e 30 mil executadas na fogueira.

A Caminho da fogueira

A Inquisição abusava da crueldade para punir aqueles considerados infiéis. O processo era composto pelo Julgamento, pela Tortura e por último as Sentenças.

1. Julgamento

Representantes do Santo Ofício chegavam à aldeia e, no Período de Graça, que durava um mês, convidavam as pessoas a admitir as suas heresias, Quem se confessasse em geral se livrava de penas severas. Quem não o fazia poderia ser denunciado. Como a Inquisição incentivava a denúncia de hereges em troca de salvação da alma, o pânico era geral, pois todos eram supeitos em potencial.


Convocado a se defender no Tribunal, o acusado era interrogado por três inquisidores, sendo a defesa muito difícil, pois raramente o réu tinha direito a um advogado. E, para arrancar confissões, o Santo Ofício utilizava-se das técnicas de tortura.

2. Tortura

O inquisidor-mor variava a crueldade dos castigos conforme a heresia. Os mais leves incluíam deixar o acusado acorrentado, sem comer nem dormir por vários dias. Alguns relatos descrevem outros castigos bem mais cruéis e dolorosos, como o aparelho chamado "extensão".

O livro Prisioneiros da Inquisição, de Frederic Max, traz o relato de um maçom, condenado pelo tribunal, que passou pelos horrores da extensão, relatados da seguinte maneira:

"As cordas, puxadas por um torniquete, faziam com que os punhos se aproximassem um do outro, por trás. Puxaram tanto que as minhas mãos se tocaram. Desloquei os dois ombros e perdi muito sangue pela boca. Repetiram três vezes o mesmo tormento antes de me devolverem à cela".


Tortura da Extensão


Tortura da Água

Tortura da Roda


3. Sentenças

A cerimônia pública em que se liam as sentenças da Inquisição era chamada de auto de fé. Os autos de fé eram geralmente praticados em praça pública, sendo um grande acontecimento. Quase sempre estava presente na cerimônia o rei.

As punições iam das mais brandas, como a excomunhão, às mais severas, como a prisão perpétua e a morte na fogueira.  A execução na fogueira ficava a cargo do poder religioso secular. Caso o condenado renunciasse às heresias ao pé do fogo, era devolvido aos inquisidores. Se sua conversão a fé católica fosse verdadeira, podia trocar a morte pela prisão perpétua. A perseguição era tão intensa que caso um defunto fosse considerado herege por alguns de seus atos em vida, seu corpo era desenterrado e queimado.

Morte na fogueira inquisitorial


Hereges sendo queimados pelos Inquisidores

IDADE MÉDIA

Bom sábado a todos os amigos do Impacto na História! Agora sim, vamos a todo vapor estudar a História da maneira correta, sem positivismo, sem decoreba... Conto com a visita constante de todos vocês para que o conhecimento seja expandido ok! Comentem, questionem, pois o blog é de vocês!!!

Abraço a todos e venham entrar comigo nesse mundo fascinante da História!!!

A Igreja Medieval

Não é de hoje que temos conhecimento acerca do grande poder que a Igreja Católica Apostólica Romana obteve durante toda a Idade Média. Extremamente rica e dominadora, a Igreja impôs sua influência à vida política, econômica e social do período e dominou completamente a cultura.

Uma das maiores proprietárias de terras da Europa, num período em que a maior riqueza do homem era a posse da terra, a Igreja possuía uma força política extraordinária, a ponto de superar os poderes de reis medievais, totalmente dependentes do clero no apoio aos seus governos.

A posse da terra era obtida através de um falso documento chamado de "Doação de Constantino", o qual trazia o imperador Constantino doando à Igreja as terras da Itália e de todo o Ocidente do império.

Podemos então afirmar que os poderes da Igreja durante a Idade Média eram dois:
      - Poder temporal: domínio sobre as coisas materiais, sendo considerado um poder político, dominador etc.
      - Poder espiritual: domínio religioso, sendo considerado o poder mais forte dentro da mentalidade medieval, baseada no teocentrismo.

Observa-se que a fé estava acima de qualquer coisa, acreditando o cristão que a Igreja salvaria a sua alma, sendo apenas necessário que ele reconhecesse os seus pecados, lutasse contra eles, evitasse-os e se submetesse aos sacramentos e às autoridades do clero.

Posteriormente veremos que vários atos imorais foram praticados pelo clero, que se aproveitava da enorme fé demonstrada pela sociedade medieval. Virão as vendas de indulgências, de relíquias etc.

A influência social da Igreja Católica era visível na divisão das ordens sociais ou estamentos e de suas respectivas funções, surgindo uma interessante frase de um clérigo, o qual dizia que:

 "Cada um tinha o dever de exercer a sua função, sendo a função do clero rezar, a do senhor guerrear e comandar e a do servo era trabalhar para seu senhor, pois assim havia sido predestinado por Deus".


Daí a caracterização da sociedade medieval em Estamental, ou seja, sem nenhuma forma de Mobilidade Social. Ir contra tal determinação era contestar a vontade de Deus, tornando-se portanto em um pecador sem salvação. Na verdade mostrava a enorme relação entre Igreja e a classe dominante do período, que tinham seus interesses defendidos através dos atos religiosos opressores das ordens mais pobres.

A intervenção religiosa estava presente na economia através da condenação do lucro e da usura, hoje denominada agiotagem, ou seja, o empréstimo de dinheiro a juros abusivos. Estabeleceram também o justo preço das mercadorias, evitando assim que os especuladores tapessem o povo.

A cultura e a educação medieval foram extremamente controladas pela Igreja Católica, sendo as escolas subordinadas aos mosteiros ou às catedrais, sendo o ensino ministrado por padres ou monges, que, manipulando a cultura, impunham o pensamento religioso.

Esse aspecto da manipulação da cultura por parte da Igreja Católica foi muito bem abordado no filme "O nome da rosa", com Sean Connery e Cristian Slater. Excelente filme para quem gosta de estudar esse período e entender como ocorria tal domínio religioso sobra a cultura, livros, poesias etc. Nada como estudar história de uma maneira bem divertida, ou seja, assistindo um bom filme acompanhado de uma boa pipoca... Recomendo.

                                                  Filme: O nome da rosa

 Divisão do Clero

O Clero possuía uma divisão específica, a qual estebelecia funções para cada tipo de clérigo. A divisão ocorria da seguinte forma:

          A) Clero Secular
          B) Clero Regular

                               Hierarquia do clero medieval

Clero Secular

Hierarquicamente, estava organizado da seguinte forma: Arcebispos, Bispos, Padres e Diáconos.

Acima de todos estes citados, encontrava-se o Papa, chefe absoluto da Igreja. Sua autoridade jamais deveria ser contestada, havendo a submissão até mesmo dos próprios reis medievais diante de sua presença.

Clero Regular

Era formado pelo clero dos mosteiros, cujos membros - os monges - levavam e ainda levam na atualidade, a exemplo dos monges franciscanos ou beneditinos, uma vida disciplinada pelo trabalho útil e são obrigados a obedecer às regras (regula em latim) da ordem religiosa a que pertenciam ou pertencem.

Monge Copista

Muitos mosteiros formaram grandes centros agrícolas, ao lado dos quais surgiram aldeiase até mesmo cidades. Os monges eram hospitaleiros e prestavam ajuda aos pobres, às mulheres e aos doentes, sendo, portanto, bem próximos ao povo.

                           Estrutura de um mosteiro medieval

Heresias

Vários dogmas da Igreja Católica foram contestados durante os séculos IV e XIII por grupos que sustentavam doutrinas diversas, denominadas heresias.

Entre as diferentes heresias condenadas pela Igreja Católica podemos citar:

     - Arianismo: pragava que Jesus não era igual ao Deus-Pai, pois foi criado por ele;
     - Monofisismo: pregava que Cristo tinha somente uma natureza, a divina;
     - Pelagianismo: negava a existência do Pecado Original;
     - Valdenses: negavam obediência à Igreja, não admitiam a existência do Purgatório nem o culto aos Santos. Para os valdenses a salvação não vinha através de padres, bastando somente orações e o respeito aos ensinamentos da Bíblia, única autoridade para eles. Há uma enorme coincidência com as bases do Luteranismo, que surgiu muito tempo depois já no movimento da Reforma Protestante.
       - Albigenses: pregavam a existência de dois princípios contrários: um deus do bem,criador da alma, e um deus do mal, criador do corpo. Baseados nisso, proibiam o casamento, para que se evitasse a procriação, e estimulavam a prática do suicídio.

Tais heresias foram severamente combatidas pela Igreja Católica através do Tribunal da Santa Inquisição, cometendo vários crimes brutais em nome da religião.

Queridos amigos, por hoje é só, mas fiquem atentos no blog, pois ainda nesse fim de semana postarei alguns exercícios direcionados para o ENEM ok! Todos já devidamente gabaritados. Um abraço e até ó nosso próximo encontro.

Joffreson Santos - Joka

sábado, 19 de março de 2011

O PRAZER EM ESTUDAR HISTÓRIA

        Bom dia a todos os amigos que visitam o Impacto na História! Estou voltando a atualizar o blog, pois devido à enorme correria que foi o fim de 2010 e início de 2011, fiquei devendo aos meus ilustres visitantes.
Neste post venho confirmar a enorme importância acerca da busca pelo conhecimento histórico, principalmente com a finalidade de entender o porquê de tantos acontecimentos nos dias de hoje, que trazem vários questionamento, como por exemplo: Que motivos levam Judeus e Palestinos ao conflito por tanto tempo na História? Como se formaram tantas ditaduras no Oriente Médio e só agora estão sendo combatidas?
       Você percebe que são questionamentos atuais, mas que trazem respostas encontradas no conhecimento histórico. Todas as raízes de tais conflitos, poderes infinitos sobre uma população ou país, etc, estão na História...
       Não posso deixar, como educador e cidadão que sempre busca a disseminação do conhecimento à população, que tais questionamentos fiquem sem respostas.
       Por muito tempo a História foi classificada como uma disciplina decorativa nas escolas, de maneira positivista, com datas, nomes importantes, etc.. Hoje a História prova que está inserida em nosso cotidiano, sempre pronta a mostrar que todos os acontecimentos estão conectados... Isso mesmo, uma grande rede de informações. O link para chegar às respostas passa pela curiosidade, pela incessante busca ao conhecimento e principalmente pela leitura. Aquele que não gosta de ler dificilmente será um cidadão que questiona, critica, que busca o conhecimento.
       Por fim, esse é o motivo que me inspira quando estou aqui diante da tela de meu computador: DISSEMINAR CONHECIMENTO!!!!
      Espero contar com a ajuda de todos vocês ilustres visitantes para que tornemos o nosso mundo um pouco melhor, levando aos cidadãos a possibilidade de diálogo, debates e principalmente amor ao próximo, o que está faltando nos dias atuais.
      Aproveitem, pois o Impacto na História é de vocês e continuará sendo produzido para que o conhecimento histórico deixe de lado esse estigma de DECORATIVO, indevidamente posto por muitos... Um abraço e CARPE DIEM!!!!   

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A IDADE MÉDIA

O período medieval caracterizou-se pelo feudalismo, isto é, estrutura econômica, social, política e cultural que se edificou progressivamente na Europa centro-ocidental em substituição à estrutura escravista da Antiguidade romana.

O feudalismo começou com o processo de fixação da população européia no campo. A agricultura, praticadas nas Villae (vilas ou grandes propriedades agrárias), constituiu a base de uma economia auto-suficiente, cujos desdobramentos conduziriam à formação do mundo agro-feudal.

Os feudos eram os núcleos com base nos quais a sociedade feudal se organizou. Por volta do ano 1000, a maioria das pessoas na Europa ocidental vivia em feudos. Nesse período, a terra tornou-se o bem mais importante, por ser a principal fonte de sobrevivência e poder.

O modo de produção feudal tinha como base a economia agrária, não-comercial, auto-suficiente, quase totalmente amonetária (ou seja, com uso restrito de moedas). A propriedade feudal pertencia a uma camada privilegiada, composta pelos senhores feudais, altos dignitários da Igreja (o clero) e a nobreza.

A principal unidade econômica era o feudo, que se dividia em três partes: a propriedade privada do senhor, chamada de domínio ou manso senhorial, no interior da qual havia geralmente um castelo fortificado; o manso servil, ou seja, a porção de terras arrendadas aos camponeses e que era divididos em lotes, chamados de tenências; e o manso comunal, terras coletivas (pastos e bosques) usados tanto pelo senhor como pelos servos.





Cada família de servos tinha a posse de um lote de terras (ou tenência) no feudo para trabalhar. O desenvolvimento técnico na produção economica feudal foi pequeno, limitando aumentos de produtividade. A agricultura era praticada por meio de técnicas simples. O arado de madeira, puxado por boi, era o equipamento principal. Para não esgotar o solo, usava-se um sistema de rotação trienal. Na imagem acima, podemos ver a rotatividade: enquanto uma parte da terra está em descanso, uma está sendo preparada para o plantio e outra está no processo de colheita.




A Sociedade feudal

No feudalismo, o critério de diferenciação dos grupos sociais era a posse das terras, que estava rigidamente definida: de um lado, os senhores, cuja riqueza provinha da posse territorial e da exploração do trabalho servil; de outro, os servos, vinculados à terra e sem possibilidades de ascender socialmente. A esse tipo de sociedade, estratificada, sem mobilidade social, dá-se o nome de sociedade estamental.

A sociedade feudal era composta por três estamentos, três grupos sociais com status fixo: o clero (os oratores), a nobreza (os bellatores, isto é, que lutam) e os camponeses (os laboratores, que trabalham):

O clero tinha como função oficial rezar. Na prática, exercia grande poder político sobre uma sociedade bastante religiosa, onde o conceito de separação entre a religião e a política era desconhecido. Mantinham a ordem da sociedade evitando, por meio de persuasão e criação de justificativas religiosas, revoltas e contratações camponesas.

A nobreza (também chamados de senhores feudais) principal função guerrear, além de exercer considerável poder político sobre as demais classes. O Rei lhes cedia terras e estes lhe juravam ajuda militar (relações de suserania e vassalagem).

Os servos da gleba constituíam a maior parte da população camponesa, presos à terra e explorados em sua força de trabalho. Para receberem direito à moradia nas terras de seus senhores, assim como entre nobres e reis, juravam-lhe fidelidade e trabalho.






Destes estamentos sociais, dois grupos eram principais na sociedade feudal: os senhores feudais e os servos. Os servos eram constituídos pela maior parte da população camponesa, presos ao feudo e sofrendo grande exploração pelo senhor. Eram obrigados a pagar diversos tributos e prestar vários serviços ao senhor em troca da permissão do uso da terra e de proteção militar. As principais obrigações dos servos consistiam em:

Corvéia: trabalho compulsório nas terras do senhor em alguns dias da semana;


Talha: parte da produção do servo entregue ao nobre;


Banalidade: tributo cobrado pelo uso dos bens do feudo, como o moinho, o forno, o celeiro;


Capitação: imposto pago por cada membro da família (por cabeça);


Tostão de Pedro ou dízimo: 10% da produção do servo era pago à Igreja, para a manutenção da capela local;


Censo: tributo que os vilões (pessoas livres, vila) deviam pagar, em dinheiro, para a nobreza;


Formariage: quando o nobre resolvia se casar , todo servo era obrigado a pagar uma taxa para ajudar no casamento, era também válida para quando um parente do nobre iria casar;


Mão Morta: Era o pagamento de uma taxa para permanecer no feudo da família servil, em caso do falecimento do pai da família;

Albergagem: Obrigaçao do servo em hospedar o senhor feudal.


Diferentemente dos escravos, os servos estavam presos à terra e dali não podiam sair. Mesmo que um feudo mudasse de senhor, não poderiam ser expulsos dele, passando a prestar obrigações ao novo senhor.

Ainda que entregasse grande parte da colheita ao senhor, o servo produzia sua própria economia. Entretanto, os servos ficavam à mercê de circunstâncias quase tão cruéis quanto as enfrentadas pelos escravos na antiguidade greco-romana.

Além do clero, da nobreza e dos servos, havia ainda os vilões, prováveis antigos proprietários livres, embora ligados a um senhor, eram servos com mais liberdade.

A mobilidade social praticamente inexistia. Rígidas tradições e vínculos jurídicos determinavam a posição social de cada indivíduo desde o nascimento.



Suserania, vassalagem e a Cavalaria feudal


Na sociedade feudal, os senhores feudais ligavam-se entre si por meio de um complexo sistema de obrigações e tradições. A base social dos reinos feudais se constituiria a partir da combinação de tradições, costumes, crenças e estruturas sociais herdadas dos romanos e dos povos germânicos, tais como: a clientela, relação de dependência existente na Roma antiga, a partir da qual um cliente ligava-se a um senhor em busca de proteção, em troca, tendo obrigações para com o senhor; o colonato, de origem romana, era a obrigatoriedade de permanência do colono nas propriedades rurais; o comitatus, da tradição germânica na qual o guerreiro devia absoluta lealdade ao chefe tribal, contribuindo para a formação das relações de suserania e vassalagem.

Como a terra tinha grande importância na época feudal, era comum entre a nobreza a retribuição de serviços prestados com a concessão de terras. Os nobres que as cediam eram os suseranos e aqueles que as recebiam tornavam-se seus vassalos. Havia um cerimonial, a homenagem, que acompanhava a concessão do feudo (o beneficium), ocasião em que o vassalo jurava fidelidade ao suserano, momento denominado de investidura. O vassalo comprometia-se à acompanhar o suserano nas guerras, assim como o suserano jurava, em reciprocidade, proteção ao vassalo.

Os vassalos tinham, assim, obrigações para com seus suseranos como, por exemplo, o Consilium (o conselho), que consistia em geral na obrigação de participar das assembléias reunidas pelo senhor, e em particular, na obrigação de aplicar a justiça em seu nome, e o Auxilium, a ajuda, em geral militar e eventualmente financeira. O vassalo devia, pois contribuir para a administração, a justiça e o exército senhoriais. Em contrapartida, o senhor devia-lhe proteção. Essa relação de obrigação recíproca entre suseranos e vassalos fez da dependência a caracteristica principal das relações sociais feudais.

Após a desintegração do Império Romano do Ocidente, a Europa foi ocupada por vários reinos, cuja principal característica era a descentralização do poder, dividido entre o rei e os senhores do feudo. O rei cumpria, sobretudo, funções simbólicas. Era considerado o principal suserano. Também subordinado às obrigações do sistema de suserania e vassalagem, dependia do exército formado por seu vassalos e dos tributos recolhidos em seus próprios domínios feudais.

A estrutura do feudalismo se fez em meio a guerras continuas, decorrentes das invasões bárbaras e das constantes disputas por poder. Foi nesse contexto que se formou a cavalaria medieval, cujo ideal de honra. Lealdade e heroismo transformava o cavaleiro em um mito heróico da época.