domingo, 17 de abril de 2011

ANTIGO REGIME E MERCANTILISMO

"O Estado sou eu"

A frase, atribuída ao francês Luís XIV, mostra bem quem mandava na política da Idade Moderna: os reis. Veja como eles adquiriram e puseram em prática tal poder absoluto.

Cerimônia do beija-mão



Antigo Regime

O Antigo Regime foi o estilo de governo que marcou a Europa na Idade Moderna. Na esfera política, era caracterizado pelo Absolutismo, ou seja, o poder ficava todo concentrado nas mãos do rei; na esfera econômica, vigorava o Mercantilismo, marcado pelo acúmulo de capital realizado pelas nações.

FORMAÇÃO

Desde o fim da Idade Média, existia na Europa uma tendência de enfraquecimento do poder dos nobres, por causa do Renascimento comercial e urbano. Para os reis, que durante o período medieval tinham autoridade quase nula, esse era o momento ideal de reafirmar seu poder.

Em alguns países os soberanos contaram com o importante apoio da Burguesia, que tinha forte interesse na centralização política, pois a padronização de pesos, medidas e moedas e a unificação da justiça e da tributação favoreciam o desenvolvimento do comércio.

A nobreza, sem forças para se impor, acabou por aceitar a dominação real - em alguns casos, após sangrentos conflitos. Parte dela foi cooptada por meio da formação das cortes, constituídas por nobres luxuosamente sustentados pelo Estado.

Os reis puderam, assim, tomar para si todo o controle político, econômico e militar dos países. No auge desse processo de centralização, estabeleceu-se o Absolutismo.


TEORIAS

O fortalecimento do poder real era defendido por vários pensadores da época. Um dos filósofos absolutistas mais importantes e reconhecidos em todo o mundo foi o renascentista italiano, Nicolau Maquiavel, autor da obra política "O Príncipe". Em sua obra apoiou o uso de todos os meios necessários para o monarca aumentar a sua força política, lançando nesse momento sua famosa frase: "Os fins justificam os meios".

Nicolau Maquiavel


O Príncipe

  
Na Inglaterra o grande nome foi o de Thomas Hobbes, autor de O Leviatã. Ele dizia que os homens tendem a viver em constantes guerras e conflitos entre si, e para que se evitasse tais acontecimentos, seria necessário firmar um contrato social entre os indivíduos, e o cumprimento desse acordo só poderia ser garantido com o estabelecimento de um Estado forte, sendo para ele um "mal necessário", pois não havia como imaginar uma sociedade sem uma organização suprema do rei. Para Hobbes, "o homem é lobo do próprio homem", não havendo a possibilidade da sociedade se auto-organizar.


Thomas Hobbes


Ilustração de Leviatã



Leviatã

Na França, destacou-se o cardeal Jacques Bossuet, segundo o qual o rei era o representante de Deus na Terra, e por Direito Divino, não devia satisfação de seus atos. Foram nesse dois últimos países que o Absolutismo se estabeleceu de forma mas exemplar.


Jacques Bossuet



Teoria do Direito Divino


INGLATERRA

A Monarquia inglesa teve início em 1066, quando o duque da Normandia, William I (também conhecido como Guilherme, o Conquistador), invadiu o país e impôs o regime absolutista. O poder real, mesmo assim, teria outra forma, a limitada.

A Magna Carta, em 1215, e o Parlamento - instituição central da história política inglesa, criada em 1264 - submetiam às decisões do soberano à aprovação dos nobres.

A primeira fase do absolutismo inglês começou com a Guerra das Duas Rosas (1455-1485), quando as duas mais importantes famílias da nobreza do país, Lancaster e York, se enfrentaram pela sucessão do trono. Elas praticamente se exterminaram mutuamente, abrindo caminho para que um herdeiro político indireto de ambas assumisse o poder: Henrique VII, que fundou a dinastia Tudor.

Com a nobreza enfraquecida e o apoio popular, em razão do fim das guerras, Henrique VII fortaleceu sua autoridade. Seu filho e sucessor, Henrique VIII, foi além, ao promover a Reforma Religiosa no país. Como dica de um excelente filme histórico para entender o absolutismo inglês durante o governo de Henrique VIII, a história com Ana Bolena e a separação da Igreja Católica Romana, indico "A Outra", que traz a vencedora do Oscar em "Cisne Negro", Natalie Portman, Scarlett Johansson e Eric Bana, além de grande elenco. Você vai entender de que forma surgiu  e se firmou o Aglicanismo inglês, religião oficial do país ainda hoje.


                                Filme: A Outra

O auge do Absolutismo inglês ocorreu entre 1558 e 1603, no governo de Elizabeth I, hábil administradora, que conseguiu manter o Parlamento sob realtivo controle e promoveu grande expansão da economia. Em seu reinado, a Inglaterra derrotou a invencível armada da rival Espanha e fundou a primeira colônia inglesa na América. Após a sua morte, o país viveria um período de conflitos entre o rei e os setores ligados à burguesia que resultaria no fim do Absolutismo. Veja abaixo algumas ilustrações da rainha mais temida durante o Absolutismo Europeu, Elizabeth I, que foi chamada pelo rei espanhol Felipe II de "castigo protestante"após a sua humilhante derrota para a marinha inglesa.









Mais uma vez indico a todos vocês excelentes filmes para compreender o governo absolutista da magnífica Rainha Elizabeth I, uma das mulheres que marcaram a História Mundial. Curiosamente, a atriz Cate Blanchett fez dois filmes como a protagonista Elizabeth!!


                              Filme: Elizabeth


                       Filme: Elizabeth: A Era de Ouro


FRANÇA

Na França, o Absolutismo seria mais consistente e duradouro. A autoridade real e o sentimento de nacionalidade começaram a a se fortalecer no país após a vitória sobre a Inglaterra na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Nas décadas seguintes, os monarcas ampliaram os territórios sob seu domínio e, aliados à burguesia, estenderam o controle real sobre a economia. A nobreza passou a integrar uma numerosa corte e formou-se, assim, uma grande aliança entre o monarca, os burgueses e os nobres, que duraria até a Revolução Francesa.

Na segunda metade do século XVI, a França viveu intensos conflitos entre Católicos e Protestantes. Destacou-se o episódio da Noite de Sao Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, quando milhares de protestantes foram mortos por ordem da coroa. Os conflitos terminaram com a tomada do poder por Henrique IV, que reconheceu os direitos dos protestantes pelo Edito de Nantes, de 1598. Fortalecido após a pacificação do país, ele deu início à dinastia dos Bourbon.


Noite de São Bartolomeu

                      Protestantes assassinados pela coroa

Seu sucessor, Luís XIII, nomeou primeiro-ministro o cardeal Richelieu, que intensificou a centralização do poder e a política mercantilista. No campo externo, interveio na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), contribuindo para o esfacelamento do Sacro Império Romano-Germânico e para a transformação da França na potência continental.

No governo seguinte, de Luís XIV (1643-1715), o absolutismo chegou ao auge. Conhecido como o Rei-Sol, ele passou a viver em clima de luxo exagerado, na corte, no Palácio de Versalhes, fora de Paris.

O modo de vida do rei Luís XIV tornou-se símbolo do absolutismo francês, ficando a economia a cargo do ministro Colbert, um burguês que levou ao extremo a política mercantilista.


                               Luís XIV - O Rei Sol


                     Palácio de Versalhes - França



                      Versalhes - Galeria dos espelhos



                     Biblioteca de Luís XIV


VOCÊ SABIA?

Símbolo máximo do Absolutismo Francês, o Palácio de Versalhes exemplifica bem a excentricidade de Luís XIV, conhecido como Rei Sol. O prédio tem 1,4 mil fontes e vários salões suntuosos - em apenas um deles, por exemplo, havia 357 espelhos. Ao todo, 36 mil homens trabalharam em sua construção.


MERCANTILISMO

Uma série de medidas econômicas, conhecidas pelo nome de mercantilismo, garantiu, durante o Antigo Regime, a manutenção do Estado Absolutista e de seu suntuosos gastos com o aparelho administrativo, o Exército e, principalmente, com a corte.

Possuía como princípios:

         1) Metalismo: era a base da política mercantilista e trazia a ideia de que a riqueza de um país dependia de sua capacidade de acumular metais preciosos. Mais tarde, percebeu-se que isso não bastava, sendo necessário desenvolver a produção interna.

         2) Balança comercial favorável: estipulava que era necessário comprar barato e vender caro seus produtos, para que o Estado obtivesse o chamado atualmente Superavit, ou seja, evitar ao máximo importar produtos e intensificar a produção interna para vender e expandir para outros mercados no mundo.

         3) Protecionismo alfandegário ou medidas protecionistas: estipulavam barreiras alfandegárias para produtos estrangeiros, o que favorecia a manufatura e o artesanato nacionais.   

        4) Pacto colonial: como a conquista e a exploração de colônias eram fundamentais, os Estados absolutistas europeus retiravam os recursos que bem desejavam de seus domínios em outros continentes e forçavam os povos colonizados a comprar produtos fabricados na metrópole.


Mercantilismo

                                            Mercantilismo


                                         Pacto Colonial




Ilustres visitantes do Impacto na História, a cada dia vejo o quanto os acontecimentos históricos estão inseridos em vários setores de nossa sociedade, seja na religião, política ou economia, como vimos com mercantilismo. Alguns de seus princípios ainda hoje são utilizados por muitas das potências econômicas mundiais.

Espero que tenham aproveitado bastante as informações que foram disponibilizadas a todos vocês e que sejam expandidas para o seu amigo, irmão e para todos que não se contentam com a mesmice das informações positivadas da História mecânica, estática...

O Impacto na História chega para realmente mostrar de uma maneira mais interessante o que os fatos históricos escondem por trás dos livros e das simples informações que em nenhum momento são atraentes.

Fiquem ligados, pois no próximo post virão questões direcionadas ao ENEM ok! O gabarito somente no post seguinte às questões... Desejo um bom início de semana a todos e nos encotramos no próximo post....

Abraço do prof. Joka!!

sábado, 9 de abril de 2011

INQUISIÇÃO

Intolerância em nome da fé

Alegando agir em nome de Deus, os hediondos tribunais do Santo Ofício foram responsáveis pela condenação, tortura e morte de milhares de pessoas consideradas hereges pela Igreja Católica.

A Inquisição era formada pelos tribunais da Igreja Católica, que perseguiam, julgavam e puniam pessoas consideradas hereges. Ela teve duas versões: a medieval, nos séculos XIII e XIV, e a feroz Inquisição Moderna, localizada em Portugal e na Espanha, que durou do século XV ao XIX.

Tudo começou em 1231, quando o papa Gregório IX - em razão do crescimento de seitas religiosas - criou um órgão especial para investigar os suspeitos de heresia. Atuando na Itália, na França, na Alemanha e em Portugal, a Inquisição medieval tinha penas menos severas, como a excomunhão, ou seja, o banimento do herege dos sacramentos da Igreja Católica. Na sua segunda fase, a Inquisição surgiu com penas muito severas, principalmente na Espanha de 1478.

As punições tornam-se bem mais pesadas, como a instituição da morte na fogueira, a prisão perpétua e o confisco de bens, este trazendo ainda mais riqueza a uma já poderosa Igreja Católica. A crueldade dos inquisidores, responsáveis pela aplicação das penas, era tamanha que o próprio papa chegou a pedir aos espanhóis que evitassem o banho de sangue que estava ocorrendo.

Os alvos principais dos inquisidores eram os judeus e os cristãos-novos, como eram chamados os recém-convertidos ao catolicismo, acusados de praticar o judaísmo secretamente. Na verdade, esses grupos já haviam formado uma poderosa burguesia que atrapalhava os interesses da Igreja Católica medieval e principalmente dos nobres de "sangue azul".

Com o apoio de tais nobres, o clero intensificou a perseguição e aumentou ainda mais o poder do Tribunal do Santo Ofício, que passou a considerar como heresia qualquer ofensa "a fé e aos costumes". A lista de perseguidos incluía ainda os protestantes e iluministas, históricos combatentes dos desmandos do clero medieval e moderno.

O Brasil não chegou a ter um tribunal específico para punir hereges que pudessem surgir, mas emissarios da Inquisição estiveram por aqui entre 1591 e 1767. Calcula-se que centenas de brasileiros tenham sido condenados e mais de 20 queimados em Lisboa.

Os inquisidores portugueses fizeram 40 mil vítimas, das quais 20 mil foram queimadas nas fogueiras da Santa Inquisição. Na Espanha, até o fim do Santo Ofício, 1834, estima-se que quase 300 mil pessoas tenham sido condenadas e 30 mil executadas na fogueira.

A Caminho da fogueira

A Inquisição abusava da crueldade para punir aqueles considerados infiéis. O processo era composto pelo Julgamento, pela Tortura e por último as Sentenças.

1. Julgamento

Representantes do Santo Ofício chegavam à aldeia e, no Período de Graça, que durava um mês, convidavam as pessoas a admitir as suas heresias, Quem se confessasse em geral se livrava de penas severas. Quem não o fazia poderia ser denunciado. Como a Inquisição incentivava a denúncia de hereges em troca de salvação da alma, o pânico era geral, pois todos eram supeitos em potencial.


Convocado a se defender no Tribunal, o acusado era interrogado por três inquisidores, sendo a defesa muito difícil, pois raramente o réu tinha direito a um advogado. E, para arrancar confissões, o Santo Ofício utilizava-se das técnicas de tortura.

2. Tortura

O inquisidor-mor variava a crueldade dos castigos conforme a heresia. Os mais leves incluíam deixar o acusado acorrentado, sem comer nem dormir por vários dias. Alguns relatos descrevem outros castigos bem mais cruéis e dolorosos, como o aparelho chamado "extensão".

O livro Prisioneiros da Inquisição, de Frederic Max, traz o relato de um maçom, condenado pelo tribunal, que passou pelos horrores da extensão, relatados da seguinte maneira:

"As cordas, puxadas por um torniquete, faziam com que os punhos se aproximassem um do outro, por trás. Puxaram tanto que as minhas mãos se tocaram. Desloquei os dois ombros e perdi muito sangue pela boca. Repetiram três vezes o mesmo tormento antes de me devolverem à cela".


Tortura da Extensão


Tortura da Água

Tortura da Roda


3. Sentenças

A cerimônia pública em que se liam as sentenças da Inquisição era chamada de auto de fé. Os autos de fé eram geralmente praticados em praça pública, sendo um grande acontecimento. Quase sempre estava presente na cerimônia o rei.

As punições iam das mais brandas, como a excomunhão, às mais severas, como a prisão perpétua e a morte na fogueira.  A execução na fogueira ficava a cargo do poder religioso secular. Caso o condenado renunciasse às heresias ao pé do fogo, era devolvido aos inquisidores. Se sua conversão a fé católica fosse verdadeira, podia trocar a morte pela prisão perpétua. A perseguição era tão intensa que caso um defunto fosse considerado herege por alguns de seus atos em vida, seu corpo era desenterrado e queimado.

Morte na fogueira inquisitorial


Hereges sendo queimados pelos Inquisidores

IDADE MÉDIA

Bom sábado a todos os amigos do Impacto na História! Agora sim, vamos a todo vapor estudar a História da maneira correta, sem positivismo, sem decoreba... Conto com a visita constante de todos vocês para que o conhecimento seja expandido ok! Comentem, questionem, pois o blog é de vocês!!!

Abraço a todos e venham entrar comigo nesse mundo fascinante da História!!!

A Igreja Medieval

Não é de hoje que temos conhecimento acerca do grande poder que a Igreja Católica Apostólica Romana obteve durante toda a Idade Média. Extremamente rica e dominadora, a Igreja impôs sua influência à vida política, econômica e social do período e dominou completamente a cultura.

Uma das maiores proprietárias de terras da Europa, num período em que a maior riqueza do homem era a posse da terra, a Igreja possuía uma força política extraordinária, a ponto de superar os poderes de reis medievais, totalmente dependentes do clero no apoio aos seus governos.

A posse da terra era obtida através de um falso documento chamado de "Doação de Constantino", o qual trazia o imperador Constantino doando à Igreja as terras da Itália e de todo o Ocidente do império.

Podemos então afirmar que os poderes da Igreja durante a Idade Média eram dois:
      - Poder temporal: domínio sobre as coisas materiais, sendo considerado um poder político, dominador etc.
      - Poder espiritual: domínio religioso, sendo considerado o poder mais forte dentro da mentalidade medieval, baseada no teocentrismo.

Observa-se que a fé estava acima de qualquer coisa, acreditando o cristão que a Igreja salvaria a sua alma, sendo apenas necessário que ele reconhecesse os seus pecados, lutasse contra eles, evitasse-os e se submetesse aos sacramentos e às autoridades do clero.

Posteriormente veremos que vários atos imorais foram praticados pelo clero, que se aproveitava da enorme fé demonstrada pela sociedade medieval. Virão as vendas de indulgências, de relíquias etc.

A influência social da Igreja Católica era visível na divisão das ordens sociais ou estamentos e de suas respectivas funções, surgindo uma interessante frase de um clérigo, o qual dizia que:

 "Cada um tinha o dever de exercer a sua função, sendo a função do clero rezar, a do senhor guerrear e comandar e a do servo era trabalhar para seu senhor, pois assim havia sido predestinado por Deus".


Daí a caracterização da sociedade medieval em Estamental, ou seja, sem nenhuma forma de Mobilidade Social. Ir contra tal determinação era contestar a vontade de Deus, tornando-se portanto em um pecador sem salvação. Na verdade mostrava a enorme relação entre Igreja e a classe dominante do período, que tinham seus interesses defendidos através dos atos religiosos opressores das ordens mais pobres.

A intervenção religiosa estava presente na economia através da condenação do lucro e da usura, hoje denominada agiotagem, ou seja, o empréstimo de dinheiro a juros abusivos. Estabeleceram também o justo preço das mercadorias, evitando assim que os especuladores tapessem o povo.

A cultura e a educação medieval foram extremamente controladas pela Igreja Católica, sendo as escolas subordinadas aos mosteiros ou às catedrais, sendo o ensino ministrado por padres ou monges, que, manipulando a cultura, impunham o pensamento religioso.

Esse aspecto da manipulação da cultura por parte da Igreja Católica foi muito bem abordado no filme "O nome da rosa", com Sean Connery e Cristian Slater. Excelente filme para quem gosta de estudar esse período e entender como ocorria tal domínio religioso sobra a cultura, livros, poesias etc. Nada como estudar história de uma maneira bem divertida, ou seja, assistindo um bom filme acompanhado de uma boa pipoca... Recomendo.

                                                  Filme: O nome da rosa

 Divisão do Clero

O Clero possuía uma divisão específica, a qual estebelecia funções para cada tipo de clérigo. A divisão ocorria da seguinte forma:

          A) Clero Secular
          B) Clero Regular

                               Hierarquia do clero medieval

Clero Secular

Hierarquicamente, estava organizado da seguinte forma: Arcebispos, Bispos, Padres e Diáconos.

Acima de todos estes citados, encontrava-se o Papa, chefe absoluto da Igreja. Sua autoridade jamais deveria ser contestada, havendo a submissão até mesmo dos próprios reis medievais diante de sua presença.

Clero Regular

Era formado pelo clero dos mosteiros, cujos membros - os monges - levavam e ainda levam na atualidade, a exemplo dos monges franciscanos ou beneditinos, uma vida disciplinada pelo trabalho útil e são obrigados a obedecer às regras (regula em latim) da ordem religiosa a que pertenciam ou pertencem.

Monge Copista

Muitos mosteiros formaram grandes centros agrícolas, ao lado dos quais surgiram aldeiase até mesmo cidades. Os monges eram hospitaleiros e prestavam ajuda aos pobres, às mulheres e aos doentes, sendo, portanto, bem próximos ao povo.

                           Estrutura de um mosteiro medieval

Heresias

Vários dogmas da Igreja Católica foram contestados durante os séculos IV e XIII por grupos que sustentavam doutrinas diversas, denominadas heresias.

Entre as diferentes heresias condenadas pela Igreja Católica podemos citar:

     - Arianismo: pragava que Jesus não era igual ao Deus-Pai, pois foi criado por ele;
     - Monofisismo: pregava que Cristo tinha somente uma natureza, a divina;
     - Pelagianismo: negava a existência do Pecado Original;
     - Valdenses: negavam obediência à Igreja, não admitiam a existência do Purgatório nem o culto aos Santos. Para os valdenses a salvação não vinha através de padres, bastando somente orações e o respeito aos ensinamentos da Bíblia, única autoridade para eles. Há uma enorme coincidência com as bases do Luteranismo, que surgiu muito tempo depois já no movimento da Reforma Protestante.
       - Albigenses: pregavam a existência de dois princípios contrários: um deus do bem,criador da alma, e um deus do mal, criador do corpo. Baseados nisso, proibiam o casamento, para que se evitasse a procriação, e estimulavam a prática do suicídio.

Tais heresias foram severamente combatidas pela Igreja Católica através do Tribunal da Santa Inquisição, cometendo vários crimes brutais em nome da religião.

Queridos amigos, por hoje é só, mas fiquem atentos no blog, pois ainda nesse fim de semana postarei alguns exercícios direcionados para o ENEM ok! Todos já devidamente gabaritados. Um abraço e até ó nosso próximo encontro.

Joffreson Santos - Joka

sábado, 19 de março de 2011

O PRAZER EM ESTUDAR HISTÓRIA

        Bom dia a todos os amigos que visitam o Impacto na História! Estou voltando a atualizar o blog, pois devido à enorme correria que foi o fim de 2010 e início de 2011, fiquei devendo aos meus ilustres visitantes.
Neste post venho confirmar a enorme importância acerca da busca pelo conhecimento histórico, principalmente com a finalidade de entender o porquê de tantos acontecimentos nos dias de hoje, que trazem vários questionamento, como por exemplo: Que motivos levam Judeus e Palestinos ao conflito por tanto tempo na História? Como se formaram tantas ditaduras no Oriente Médio e só agora estão sendo combatidas?
       Você percebe que são questionamentos atuais, mas que trazem respostas encontradas no conhecimento histórico. Todas as raízes de tais conflitos, poderes infinitos sobre uma população ou país, etc, estão na História...
       Não posso deixar, como educador e cidadão que sempre busca a disseminação do conhecimento à população, que tais questionamentos fiquem sem respostas.
       Por muito tempo a História foi classificada como uma disciplina decorativa nas escolas, de maneira positivista, com datas, nomes importantes, etc.. Hoje a História prova que está inserida em nosso cotidiano, sempre pronta a mostrar que todos os acontecimentos estão conectados... Isso mesmo, uma grande rede de informações. O link para chegar às respostas passa pela curiosidade, pela incessante busca ao conhecimento e principalmente pela leitura. Aquele que não gosta de ler dificilmente será um cidadão que questiona, critica, que busca o conhecimento.
       Por fim, esse é o motivo que me inspira quando estou aqui diante da tela de meu computador: DISSEMINAR CONHECIMENTO!!!!
      Espero contar com a ajuda de todos vocês ilustres visitantes para que tornemos o nosso mundo um pouco melhor, levando aos cidadãos a possibilidade de diálogo, debates e principalmente amor ao próximo, o que está faltando nos dias atuais.
      Aproveitem, pois o Impacto na História é de vocês e continuará sendo produzido para que o conhecimento histórico deixe de lado esse estigma de DECORATIVO, indevidamente posto por muitos... Um abraço e CARPE DIEM!!!!   

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A IDADE MÉDIA

O período medieval caracterizou-se pelo feudalismo, isto é, estrutura econômica, social, política e cultural que se edificou progressivamente na Europa centro-ocidental em substituição à estrutura escravista da Antiguidade romana.

O feudalismo começou com o processo de fixação da população européia no campo. A agricultura, praticadas nas Villae (vilas ou grandes propriedades agrárias), constituiu a base de uma economia auto-suficiente, cujos desdobramentos conduziriam à formação do mundo agro-feudal.

Os feudos eram os núcleos com base nos quais a sociedade feudal se organizou. Por volta do ano 1000, a maioria das pessoas na Europa ocidental vivia em feudos. Nesse período, a terra tornou-se o bem mais importante, por ser a principal fonte de sobrevivência e poder.

O modo de produção feudal tinha como base a economia agrária, não-comercial, auto-suficiente, quase totalmente amonetária (ou seja, com uso restrito de moedas). A propriedade feudal pertencia a uma camada privilegiada, composta pelos senhores feudais, altos dignitários da Igreja (o clero) e a nobreza.

A principal unidade econômica era o feudo, que se dividia em três partes: a propriedade privada do senhor, chamada de domínio ou manso senhorial, no interior da qual havia geralmente um castelo fortificado; o manso servil, ou seja, a porção de terras arrendadas aos camponeses e que era divididos em lotes, chamados de tenências; e o manso comunal, terras coletivas (pastos e bosques) usados tanto pelo senhor como pelos servos.





Cada família de servos tinha a posse de um lote de terras (ou tenência) no feudo para trabalhar. O desenvolvimento técnico na produção economica feudal foi pequeno, limitando aumentos de produtividade. A agricultura era praticada por meio de técnicas simples. O arado de madeira, puxado por boi, era o equipamento principal. Para não esgotar o solo, usava-se um sistema de rotação trienal. Na imagem acima, podemos ver a rotatividade: enquanto uma parte da terra está em descanso, uma está sendo preparada para o plantio e outra está no processo de colheita.




A Sociedade feudal

No feudalismo, o critério de diferenciação dos grupos sociais era a posse das terras, que estava rigidamente definida: de um lado, os senhores, cuja riqueza provinha da posse territorial e da exploração do trabalho servil; de outro, os servos, vinculados à terra e sem possibilidades de ascender socialmente. A esse tipo de sociedade, estratificada, sem mobilidade social, dá-se o nome de sociedade estamental.

A sociedade feudal era composta por três estamentos, três grupos sociais com status fixo: o clero (os oratores), a nobreza (os bellatores, isto é, que lutam) e os camponeses (os laboratores, que trabalham):

O clero tinha como função oficial rezar. Na prática, exercia grande poder político sobre uma sociedade bastante religiosa, onde o conceito de separação entre a religião e a política era desconhecido. Mantinham a ordem da sociedade evitando, por meio de persuasão e criação de justificativas religiosas, revoltas e contratações camponesas.

A nobreza (também chamados de senhores feudais) principal função guerrear, além de exercer considerável poder político sobre as demais classes. O Rei lhes cedia terras e estes lhe juravam ajuda militar (relações de suserania e vassalagem).

Os servos da gleba constituíam a maior parte da população camponesa, presos à terra e explorados em sua força de trabalho. Para receberem direito à moradia nas terras de seus senhores, assim como entre nobres e reis, juravam-lhe fidelidade e trabalho.






Destes estamentos sociais, dois grupos eram principais na sociedade feudal: os senhores feudais e os servos. Os servos eram constituídos pela maior parte da população camponesa, presos ao feudo e sofrendo grande exploração pelo senhor. Eram obrigados a pagar diversos tributos e prestar vários serviços ao senhor em troca da permissão do uso da terra e de proteção militar. As principais obrigações dos servos consistiam em:

Corvéia: trabalho compulsório nas terras do senhor em alguns dias da semana;


Talha: parte da produção do servo entregue ao nobre;


Banalidade: tributo cobrado pelo uso dos bens do feudo, como o moinho, o forno, o celeiro;


Capitação: imposto pago por cada membro da família (por cabeça);


Tostão de Pedro ou dízimo: 10% da produção do servo era pago à Igreja, para a manutenção da capela local;


Censo: tributo que os vilões (pessoas livres, vila) deviam pagar, em dinheiro, para a nobreza;


Formariage: quando o nobre resolvia se casar , todo servo era obrigado a pagar uma taxa para ajudar no casamento, era também válida para quando um parente do nobre iria casar;


Mão Morta: Era o pagamento de uma taxa para permanecer no feudo da família servil, em caso do falecimento do pai da família;

Albergagem: Obrigaçao do servo em hospedar o senhor feudal.


Diferentemente dos escravos, os servos estavam presos à terra e dali não podiam sair. Mesmo que um feudo mudasse de senhor, não poderiam ser expulsos dele, passando a prestar obrigações ao novo senhor.

Ainda que entregasse grande parte da colheita ao senhor, o servo produzia sua própria economia. Entretanto, os servos ficavam à mercê de circunstâncias quase tão cruéis quanto as enfrentadas pelos escravos na antiguidade greco-romana.

Além do clero, da nobreza e dos servos, havia ainda os vilões, prováveis antigos proprietários livres, embora ligados a um senhor, eram servos com mais liberdade.

A mobilidade social praticamente inexistia. Rígidas tradições e vínculos jurídicos determinavam a posição social de cada indivíduo desde o nascimento.



Suserania, vassalagem e a Cavalaria feudal


Na sociedade feudal, os senhores feudais ligavam-se entre si por meio de um complexo sistema de obrigações e tradições. A base social dos reinos feudais se constituiria a partir da combinação de tradições, costumes, crenças e estruturas sociais herdadas dos romanos e dos povos germânicos, tais como: a clientela, relação de dependência existente na Roma antiga, a partir da qual um cliente ligava-se a um senhor em busca de proteção, em troca, tendo obrigações para com o senhor; o colonato, de origem romana, era a obrigatoriedade de permanência do colono nas propriedades rurais; o comitatus, da tradição germânica na qual o guerreiro devia absoluta lealdade ao chefe tribal, contribuindo para a formação das relações de suserania e vassalagem.

Como a terra tinha grande importância na época feudal, era comum entre a nobreza a retribuição de serviços prestados com a concessão de terras. Os nobres que as cediam eram os suseranos e aqueles que as recebiam tornavam-se seus vassalos. Havia um cerimonial, a homenagem, que acompanhava a concessão do feudo (o beneficium), ocasião em que o vassalo jurava fidelidade ao suserano, momento denominado de investidura. O vassalo comprometia-se à acompanhar o suserano nas guerras, assim como o suserano jurava, em reciprocidade, proteção ao vassalo.

Os vassalos tinham, assim, obrigações para com seus suseranos como, por exemplo, o Consilium (o conselho), que consistia em geral na obrigação de participar das assembléias reunidas pelo senhor, e em particular, na obrigação de aplicar a justiça em seu nome, e o Auxilium, a ajuda, em geral militar e eventualmente financeira. O vassalo devia, pois contribuir para a administração, a justiça e o exército senhoriais. Em contrapartida, o senhor devia-lhe proteção. Essa relação de obrigação recíproca entre suseranos e vassalos fez da dependência a caracteristica principal das relações sociais feudais.

Após a desintegração do Império Romano do Ocidente, a Europa foi ocupada por vários reinos, cuja principal característica era a descentralização do poder, dividido entre o rei e os senhores do feudo. O rei cumpria, sobretudo, funções simbólicas. Era considerado o principal suserano. Também subordinado às obrigações do sistema de suserania e vassalagem, dependia do exército formado por seu vassalos e dos tributos recolhidos em seus próprios domínios feudais.

A estrutura do feudalismo se fez em meio a guerras continuas, decorrentes das invasões bárbaras e das constantes disputas por poder. Foi nesse contexto que se formou a cavalaria medieval, cujo ideal de honra. Lealdade e heroismo transformava o cavaleiro em um mito heróico da época.

sábado, 22 de maio de 2010

ROMA ANTIGA

Roma desenvolveu-se na península Itálica, limitando-se ao norte com a Europa centro-ocidental através dos Alpes, sendo formada principalmente pelos povos latinos, sabinos, samnitas e etruscos.

Da sua fundação, por volta do ano 1000 a.C. até 509 a.C, Roma foi uma monarquia. O rei acumulava as funções executivas, judicial e religiosa, tendo seus poderes limitados na área legislativa pelo Senado ou Conselho dos Anciões, que tinha o direito de veto e sanção das leis apresentadas pelo rei.

O afastamento do terceiro rei etrusco marca o início od período republicano na história de Roma. A explicação de tal abolição da monarquia está na proximidade de Tarquínio com as camadas mais baixas da população, provocando a reação dos patrícios, os quais estabeleceram um golpe através do Conselho dos Anciãos. Diante de tal pressão, finda-se a monarquia dando origem ao período republicano em Roma.


A República Romana

Em 509 a.C., o rei Tarqüinio, o Soberbo, de origem etrusca, foi derrubado por uma conjuração patrícia do Senado, que queria pôr fim à interferência real no poder legislativo. Terminava-se, assim, a monarquia romana, e em seu lugar inaugurava-se a República romana, na qual o poder do Senado sobrepunha-se aos demais, tornando-se em órgão máximo da República.

O Senado romano (em latim Senatus) é a mais remota assembleia política da Roma antiga, com origem nos Conselhos de Anciãos, daí a origem de seu nome, senex = velho, idoso.

Os Senadores exerciam o poder político com carácter vitalício. O Senado romano fiscalizava os cônsules (autoridades executivas máximas), controlava a justiça, as finanças públicas, as questões religiosas e, dirigia a política externa, incluindo a componente militar – vital num momento de conquistas expansionistas. Somente os patrícios tinham acesso a esse órgão legislativo.




O poder executivo na República romana antiga, por sua vez, ficava a cargo de algumas magistraturas:
Cônsules – eram dois cônsules eleitos pela Assembléia Centurial pelo período de um ano, propunham leis e presidiam o Senado e as Assembléias.
Pretor – administrava a justiça.
Censor – fazia o censo da população, o critério usado era a renda.
Edil – conservava a cidade, do policiamento, do transito, do abastecimento, etc.
Questor – cuidava do tesouro público.
Ditador – em épocas de crises como guerras e calamidades, era escolhido um ditador pelo período máximo de seis meses, que governava com plenos poderes.
Assembléia Centurial (comitia centuriata) – era a assembléia dividida em centúrias, isto é, em grupos de cem soldados cidadãos, os centuriões, cuja função era votar os projetos apresentados.
Assembléia Curial – examinava os assuntos religiosos.
Assembléia Tribal – nomeava os questores e os edis.







No período Republicano, a sociedade romana estava dividida em quatro classes:

A) Patrícios – cidadãos de Roma, possuidores de terra e gado, que constituíam a aristocracia.

B) Plebeus – população dominada pelos romanos nas primeiras conquistas; eram livres, mas não participavam do Senado.

C) Clientes – indivíduos subordinados a alguma família patrícia, cumpridores de diversas obrigações econômicas, morais e religiosas.

D) Escravos – população recrutada entre os derrotados de guerra ou comprados em comércios de escravos, considerados instrumentos de trabalho, sem nenhum direito político.


Em 494 a.C., após uma revolta plebéia, os patrícios concordaram em atender aos plebeus, que ganharam representação através de dois tribunos da plebe (em 471 a.C., passaram a ser dez). Os tribunos podiam ser procurados por qualquer pessoa que se julgasse injustiçada.

Em 450 a.C., após outras revoltas plebéias, os patrícios convocaram os decênviros, dez juristas nomeados para redigir um código de leis. Foi elaborada a Lei das Doze Tábuas, primeira compilação escrita das leis romanas. A partir daí outras leis foram elaboradas:

1) Lei Canuléia (445 a.C.) – permitia o casamento entre plebeus e os patrícios.

2) Leis Licínias (367 a.C.) – permitia aos plebeus partilhar as terras conquistadas e estabeleceu que um dos Cônsules seria um plebeu.

3) Lei Poetélia (326 a.C.) – abolia a escravidão por dividas.

4) Lei Ogúlia – dava acesso a religião aos plebeus e a participação política como cônsules.


A expansão Romana

Do século V ao III a.C., Roma empenhou-se em conquistar a península itálica e outros territórios na Europa. A expansão romana deu dinâmica à estrutura escravista que passou a exigir sempre novas conquistas para aumentar o número de cativos, indispensáveis a estrutura econômica romana.
Roma foi um estado totalmente militarista cuja história e o desenvolvimento sempre foram muito relacionados às grandes conquistas militares, durante os 13 séculos que o estado romano existiu.
Roma passou de uma simples cidade-estado para um verdadeiro império, que abrangia boa parte de onde hoje é a Europa Ocidental, boa parte do norte da África e uma parte da Ásia.
A disputa pela posse da Sicília originou guerras entre Roma e a cidade fenícia de Cartago que ficava ao norte da África. As lutas se estenderam de 264 a 146 a.C. e ficaram conhecidas como Guerras Púnicas. Em 146 a.C., Roma conseguiu arrasar Cartago, dizimando sua população, continuando sua expansão até dominar todo o mar Mediterraneo, que passou a se chamar “mare nostrum romano”.
Outras conquistas romanas foram, no Oriente, a Macedônia (197 a.C.), a Síria (189 a.C.), a Grécia (146 a.C.) e o Egito (30 a.C.), e no Ocidente, a península Ibérica (133 a.C.) e a Gália Transalpina (55 a.C.).


Os Triunviratos

Em 60 a.C., o Senado acabou elegendo três fortes líderes políticos ao Consulado: Júlio César, Pompeu e Crasso governaram juntos no chamado Primeiro Triunvirato, dividindo entre si os domínios romanos. Com o nome oficial de Triunviros para a Organização do Povo (Triumviri Rei Publicae Constituendae Consulari Potestate), o triunvirato foi legislado pela Lex Titia e aprovado pela Assembleia do Povo, conferindo poderes universais aos três homens por um período de cinco anos.

Em 54 a.C., Crasso morreu combatendo na Pérsia e, dois anos depois, Pompeu foi eleito cônsul único destituindo César do comando militar da Gália. César, entretanto, resolveu lutar e avançou para o sul, dirigindo-se para Roma, causando a fuga de Pompeu.

Caio Júlio César (em latim Gaius Julius Caesar ou IMP•C•IVLIVS•CAESAR•DIVVS) foi proclamado ditador vitalício, em clara oposição ao Senado, que organizou uma conspiração contra ele. Em 44 a.C., foi assasinado a punhaladas em pleno Senado.

A morte de César gerou grande revolta na população, fato que foi explorado por Marco Antônio, um dos generais de César que, juntamente com Otávio e Lépido, formou o Segundo Triunvirato.

Tirando Lépido, Octávio e António odiavam-se e conspiraram um contra o outro desde a formação do triunvirato. Lépido logo foi afastado do poder e exilado de Roma, enquanto António, com o seu exército no Egito, preparou-se para atacar militarmente Octávio. Finalmente em 33 a.C., o triunvirato chegou ao fim e António e Octávio entraram em guerra aberta que haveria de resultar na batalha de Actium (31 a.C.), perdida por Antônio que se suicidou após a batalha. Com os seus adversários afastados do poder, Octávio ficou sozinho para governar Roma. Em 27 a.C. aceita o título de César e inicia o Império Romano.

O Império Romano

Caio Júlio César Otávio (Octaviano) Augusto (Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus) foi o primeiro imperador romano.
Apesar de assumir o poder, Otávio não aceitou a ditadura. Propôs um novo regime - o principado - que centralizava o poder em torno de si mas mantinha a república romana. Longe de destruir as antigas magistraturas, assumiu-as quase todas e se fez reeleger cônsul até o ano 23 a.C. Na aparência, não passava, então, de um magistrado como os outros. Era apenas o primeiro, isto é, princeps, em autoridade.




Em 29 a.C., recebeu o título de imperator (comandante das forças armadas). Em 28 a.C., recebeu o título de princeps senatus. No ano 27 a.C., o Senado romano deu a Otávio o título de augusto — “consagrado” ou “divino” — que mais tarde se converteu em sinônimo de imperador.

Graças a estabilidade iniciada por Augusto, Roma pôde desfrutar de um período de grande prosperidade, constituindo a pax romana que duraria pelo menos dois séculos após o seu governo.




Com o advento do Império, a estrutura política romana concentrou todo o poder nas mãos do imperador. Ao imperador cabia exercer o controle político, sobrepondo-se ao Senado. A ele competia nomear magistrados, controlar os exércitos, interferindo até nas questões religiosas. Estabeleceu-se a plena centralização do poder nas mãos do Imperador. O Império apresenta duas etapas: o Alto Império (século I a.C. a III d.C.) e o Baixo Império (século III a V d.C.).



Os sucessores de Augusto são conhecidos como a Dinastia Julio-Claudiana (que inclui ele próprio), devido aos casamentos idealizados por ele entre a sua família, os Julii, e os patrícios Claudii. Foi operíodo desastroso de governo dos imperadores Tibério, Caligula e Nero.



A partir de 69 d.C., Vespasiano tornou-se então o único imperador e deu início à dinastia Flaviana. Vespasiano procurou reorganizar o exército, as finanças do estado e a sociedade romana. Aumentou os impostos, mas erigiu grandes obras, como o Coliseu de Roma conhecido também como Anfiteatro Flaviano.

Em 96 d.C., veio a dinastia dos Antoninos, que governaram até 192 d. C. Entre seus imperadores estão: Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio. O ciclo de prosperidade terminou quando Marco Aurélio designou para sucessor o seu filho Cómodo que se sabia pouco à altura do seu pai.

A última dinastia foi a dos Severos, que governaram de 193 a 235 d.C. Septímio Severo levou o Império a um breve período de estabilidade. Entre a morte de Severo (211 d.C.) e o início da tetrarquia (285 d.C.), o Império teve 28 imperadores, dos quais apenas 2 faleceram por causas naturais (de peste).

Em 395 d.C., o imperador Teodósio dividiu o Império Romano em dois a fim de melhor administrar o Império: o do Ocidente, cuja capital era Roma, e o do Oriente, com capital em Constantinopla.

Durante o Baixo Império se tem o início das crises que levariam a decadência do Império Romano com a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. Os fatores que causaram a decadência romana foram: as guerras civis internas que geraram instabilidade política; a anarquia militar, com as trocas sucessivas de imperadores-soldados feitas pelo exército romano; a crise do escravismo, ocasionada pelo fim das guerras de conquistas e a escassez da mão-de-obra escrava, o que levaria a crise econômica e a volta para uma economia rural de subsistência; as invasões bárbaras que minavam as forças imperiais.

Relações de trabalho em Roma

Na Roma antiga, a agricultura era a atividade econômica fundamental dos romanos. Inicialmente, a terra era utilizada de forma comunitária, com base em grupos de famílias chamados clãs ou gens. Mas essa situação começara a mudar com a expansão de territórios e o crescimento econômico e populacional. As famílias patrícias mais antigas e poderosas, que possuiam terras mais férteis, passaram a apropriar-se de terras que até então eram públicas.

Os grandes proprietários possuíam escravos, pois as famílias patrícias abastadas desenvolviam sua economia com o uso da mão-de-obra escrava. Esses senhores, donos de propriedades e escravos eram chamados de dominus.

Os escravos eram essenciais na Roma Antiga, já que constituíam a maioria da mão-de-obra. A maioria empregada no trabalho agrícola, na mineração e no serviço doméstico. Muitos também foram utilizados como gladiadores, lutadores escravos treinados na Roma Antiga. O nome “Gladiador” provém da espada curta usada por este lutador, o gladius (gládio). Faziam parte da política do “pão e circo” (panis et circencis).




Com as conquistas dos séculos II e I a.C., centenas de milhares de pessoas foram reduzidas à escravidão, em toda a bacia mediterrânica. Milhares de púnicos, númidas, gregos, sírios, judeus, egípcios, gauleses e espanhóis eram vendidos diariamente nos grandes mercados de escravos de Marselha, Óstia, Roma, Alexandria, Delos, Rodes, Atenas, etc. Alguns eram prisioneiros de guerra, outros eram viajantes ou camponeses que tiveram o azar de ser raptados por piratas ou traficantes de escravos.

Regra geral, os escravos do campo viviam em condições muito piores que os da cidade. Fechados como gado, em grandes barracões sem as mínimas condições (os “ergulastum”), trabalhavam nas enormes plantações pertencentes a senadores ou cavaleiros romanos.

Os escravos das minas e das galés eram, sem dúvida alguma, os que tinham pior sorte. Geralmente eram criminosos condenados por crimes de sangue, mas, por vezes, eram simples escravos comprados para o efeito. Nas profundezas das insalubres minas do Baixo Egito, ou nos porões dos trirremes imperiais, estes escravos levavam uma existência verdadeiramente subumana. Geralmente, não duravam mais de três ou quatro anos em tais condições.

Os escravos eram considerados “instrumentos vocais”, ou seja, que o que os distinguia dos animais era a faculdade de falarem. Mas era, sobretudo, “res mobilis”, isto é, uma “coisa” ou um “bem móvel”, do qual seu senhor poderia usufruir plenamente, e vendê-lo, emprestá-lo, doá-lo, deixar como herança, etc.

O escravo não era cidadão romano, não possuía direitos sociais e políticos. O escravo não usufruía de nenhuma liberdade: ele não possuía bens imóveis, não tinha proteção contra a detenção ilegal, não tinha liberdade de movimento e não tinha liberdade de escolher seu trabalho. Sua vida e atividade dependia da vontade do seu senhor; sua situação só podia mudar se o senhor consentisse, se fosse vendido ou se morresse.

A ampla utilização da mão-de-obra escrava, entretanto, gerou resistência por parte dos escravos através de rebeliões dos cativos. A rebelião mais significativa foi comandada pelo gladiador escravo trácio Spartacus, de 74 a 71 a.C., ameaçando a própria cidade de Roma. Escapando de Cápua, cidade ao sul de Roma, 74 gladiadores refugiaram-se próximo ao vulcão Vesúvio, onde reuniram mais de 120 mil pessoas.

Religião e Religiosidade entre os Romanos

A religião na Roma Antiga caracterizou-se pelo politeísmo, com elementos que combinaram influências de diversos cultos ao longo de sua história. Desse modo, em sua origem, crenças etruscas, gregas e orientais foram sendo incorporadas aos costumes tradicionais adaptando-os às necessidades da população.

Os deuses dos antigos romanos, à semelhança dos antigos gregos, eram antropomórficos, ou seja, eram representados com a forma humana e possuíam características (qualidades e defeitos) de seres humanos.

O Estado romano propagava uma religião oficial que prestava culto aos grandes deuses de origem grega, porém com nomes latinos, como por exemplo, Júpiter, pai dos deuses; Marte, deus da guerra, ou Minerva, deusa da arte.

A expansão territorial e o advento do Império levou à incorporação de cultos orientais, além daqueles de origem helenística. Os romanos cultuavam, por exemplo, o deus persa Mitra (mitologia), o que incluía a crença em um redentor que praticava o batismo e a comunhão pelo pão e pelo vinho.

No âmbito privado, os cidadãos, por sua vez, tradicionalmente buscavam proteção nos espíritos domésticos, os chamados “lares”, e nos espíritos dos antepassados, os “penates”, aos quais rendiam culto dentro de casa.
Posteriormente, diante da difusão do cristianismo, o imperador Constantino promulgou o Édito de Milão (313 d.C.), que estabeleceu a liberdade de culto aos cristãos, encerrando as violentas perseguições que lhes eram movidas. Pouco depois, no século IV, o cristianismo tornou-se a religião oficial do Estado, através do Édito de Tessalônica (381 d.C.), por determinação do imperador Teodósio.


O panteão Grego e o Romano





O Escravo

O escravo é definido essencialmente por antíteses. Para lá das profundas transformações geradas pelas perturbações sucessivas do contexto histórico, ele permanece, durante séculos, o negativo do cidadão. (...) O modo de viver do cidadão implica o tempo livre, a scholé ou o otium, que lhe permite dedicar-se às atividades criativas, a começar pela política; pelo contrário, a condição do escravo é caracterizada pela ausência de tempo livre; como um animal doméstico, trabahla, e, para recobrar forças para o trabalho, come e dorme. (...) para o seu senhor, é o mesmo que o boi é para o pobre, é um objeto animado que faz parte dos seus bens. A mesma idéia encontra-se constantemente no direito romano, onde o caso do escravo surge muitas vezes ligado ao de outros elementos do patrimônio: é vendido segundo as mesmas normas de um lote de terrenos, num legado, é incluído entre os utensílios e os animais. É, sobretudo, um objeto, um res mobilis.

(...)

Por conseguinte, há duas coisas que ficam claras. Em primeiro lugar, um escravo é um escravo, ou seja, fundamentalmente, alguém que não é senhor do seu destino e cuja situação, embora agradável em certas circunstâncias, pode sempre ser radicalmente reposta em causa pela simples vontade do senhor.(ANDREAU, J. Et. All. O Homem Romano. s/l: Editora Presença, s/d. pp. 119-124.)